O ano em que não pudemos concordar em mais nada

Este foi para mim o ano em que não pudemos concordar em mais nada, ou quase nada.

Este foi o ano em que se você perguntou:

– Podemos todos concordar que é errado um policial executar um cidadão desarmado?

Você certamente ouviu:

– Não, não podemos, porque temos que ver o outro lado, o lado do policial que estava apenas fazendo o seu trabalho.

Outras perguntas e respostas que marcaram este ano:

Podemos todos concordar que a inflação está alta e que isto é um problema?

Não, não podemos, porque no governo FHC a inflação era ainda maior.

Podemos todos concordar que não é correto um governador construir um aeroporto com dinheiro público na fazenda do vovô?

Não, não podemos, porque o importante é tirar os petralhas do poder.

Podemos todos concordar que não é razoável acusar a presidenta da República de assassinato?

Não, não podemos, porque se o doleiro não morreu, nós bem sabemos do que a presidenta era capaz na sua época de terrorista.

Podemos todos concordar que o governo administrou mal a Petrobras?

Não, não podemos, porque a corrupção na Petrobras começou no governo FHC.

Podemos todos concordar que não é democrático prender manifestantes que não cometeram nenhum crime?

Não, não podemos, porque vai que eles eram black bloc.

Podemos todos concordar que um deputado não deveria ameaçar ninguém de estupro?

Não, não podemos, porque pelo menos o deputado tem a coragem de dizer o que pensa.

Podemos todos concordar que falta água em São Paulo?

Não, não podemos, porque na minha casa não falta água.

Se em 2015 pudermos todos concordar que Boko Haram, Isis e Talebã não são organizações fofinhas, para mim já vai estar de bom tamanho.

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