Morreremos

Sempre que vejo pessoas se xingando na internet e desejando a morte uma da outra, minha vontade é dizer:

– Calma, pessoal, tem morte pra todo mundo: não precisa brigar para saber quem é que vai morrer.

Mas, como sou educada, prefiro não dizer nada. Seria o cúmulo da falta de educação interromper uma briga dessas para dizer que ambos os contendores um dia certamente hão de morrer.

Afinal, se eles soubessem disso – se realmente estivessem convencidos de que um dia só existirão na lembrança dos que ficam e no caché do Google -, seriam obrigados a interromper a disputa para chorar de desespero e aflição – com o fato de que a morte é certa e a vida, tão errada, foi gasta em gritos de MORRA para cá e MORRA VOCÊ para lá.

Se os gladiadores virtuais realmente, sinceramente soubessem que um dia o tuíter deixará de existir e eles também, é possível que sua primeira reação – não de todo ilógica, aliás – fosse o suicídio.

Melhor, então, ficar bem quieta e deixá-los em paz com sua guerra.

Assim, esquecem-se de se matar.

Assim, esquecem-se de que irão morrer.

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