Seja marginal, seja idiota

Uma famosa livraria de São Paulo tem gôndolas de livro que se empilham formando círculos cada vez menores a partir do chão. Não sei explicar isso a não ser pedindo para você imaginar uma nhá-benta gigante, porém oca e vazia no topo, com livros expostos em cada uma de suas voltas. Pois bem. Na última volta da gôndola-nhá-benta, isto é, a volta do topo, jazia um livro enorme que prometia ensinar às pessoas o mínimo que elas precisariam saber de modo a não serem idiotas. Um adolescente, fazendo um esforço grande demais para não ser, ou pelo menos não parecer, um rematado idiota, estendeu o braço desajeitadamente em direção ao livro. E eis que o guia para candidatos-a-não-idiota cometeu suicídio ali mesmo, caindo no centro abismal da gôndola-nhá-benta, perdendo-se para sempre no vazio que reinava entre fileiras e fileiras de best-sellers literários. Fiquei contente. É um não-idiota a menos que o mundo ganha. O mundo não precisa de gênios. O mundo precisa, cada vez mais, de pessoas que Olavo de Carvalho considere idiotas.

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