Os Capitais

Faz uma semana que o Itaú me comunicou que sou uma grande fã do Capital Inicial.

Recebi um e-mail informando que meu pedido por um show da banda enfim fora atendido.

Xinguei o e-mail mentalmente. Quão arrogante uma empresa precisa ser para achar que sabe qualquer coisa a respeito do meu gosto musical?

Então recebi outro e-mail do Itaú, de rotina.

E me dei conta de que há muito mais tempo o Itaú vem me comunicando que, para realizar meus sonhos, preciso ganhar muito dinheiro.

Esses e-mails sobre os meus sonhos, eu nunca xinguei.

Nunca perguntei “Quão arrogante uma empresa precisa ser para achar que sabe qualquer coisa a respeito dos meus sonhos?”

Mas afirmar que preciso de capital é fazer uma suposição tão arbitrária quanto afirmar que gosto de Capital.

A única diferença é que, se o Itaú me convencer de que gosto de Capital, irei ao show da banda e o banco terá um lucro xis.

E, se o Itaú me convencer de que preciso de capital para realizar meus sonhos, ganharei muito dinheiro e o banco terá um lucro mil-xis.

Um beijo, Dinho Ouro Preto.
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7 comentários sobre “Os Capitais

  1. Muito boa a anedota! Discutíamos questões relacionadas com alunos outro dia, sobre o quanto bancos tentam nos convencer das coisas.

    O HSBC, por exemplo, está tentando nos convencer que eles são um banco que se importa com a neura de monetização das pessoas, e como a indústria da publicidade nos bombardeia com a necessidade de consumo para atingir a felicidade.

    Um banco anti-consumismo… Certamente!

    • Engraçado que esse seu comentário caberia perfeitamente no post sobre a revista feminina (não sei se vc chegou a ler). É exatamente o mesmo caso: nossos concorrentes são uns capitalistas falsos enganadores cruz-credo – nós não, nós somos joinha e só queremos o seu bem…

  2. Me lembrei de uma das perguntas essenciais do programa Provocações do Antônio Abujamra na Cultura: “Quem maior mal fez a humanidade, a religião ou os bancos?”

    Se um dia você for ao Provocações (e eu acho que vc deveria ser convidada rsrs), vai poder dizer, quem maior mal fez a Camilets Pavanellis neste fds.

    Um abraço, saudades da ” convivência” do tuíto …..

  3. Certamente as propagandas de banco precisam de um choque de realidade, como foi com as propagandas de cerveja no início do século pelo apelo sexual. As agências precisam urgentimente de tomar um pouco de éticanol.

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