Duas bandeiras, duas pautas: um país

Na Avenida Paulista, hoje, eu vi o Brasil.

De um lado, manifestantes bolivianos contra a violência; de outro, manifestantes brasileiros contra a corrupção.

De um ponto de vista objetivo, ambos os grupos carregavam bandeiras nacionais, cada qual de seu país, e ambos os grupos protestavam contra alvos tão amplos quanto óbvios em sua desejabilidade (ninguém em sã consciência pode ser a favor da violência ou da corrupção).

E, no entanto, nunca duas bandeiras nacionais foram tão diferentes. A bandeira da Bolívia, ali, era símbolo de uma luta por direitos. A do Brasil, patriotismo vazio. Da mesma forma, nunca dois bicho-papões genéricos me pareceram tão distintos. A (vítima da) violência, ali, era bastante real e concreta – tinha nome, rosto e idade. Já o grito contra a corrupção, metáfora do Mal, era aquele de sempre – atento aos corruptos, desatento aos corruptores e completamente cego para as estruturas.

Uma aula de contexto, a rua.

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2 comentários sobre “Duas bandeiras, duas pautas: um país

  1. Incrível como o nacionalismo, mais uma vez (coincidência?), veio acompanhado de repúdio ignorante a partidos, sindicatos e outras organizações sociais. Ninguém aprende nada com a História?

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